domingo, 22 de agosto de 2010

Garoto das Meias Vermelhas

  Ele era um garoto triste. Procurava estudar muito.
Na hora do recreio ficava afastado dos colegas, como se estivesse procurando alguma coisa.
Todos os outros meninos zombavam dele, por causa das suas meias vermelhas.
Um dia, o cercaram e lhe perguntaram porque ele só usava meias vermelhas.
Ele falou, com simplicidade:
"no ano passado, quando fiz aniversário, minha mãe me levou ao circo".
Colocou em mim essas meias vermelhas.
Eu reclamei. Comecei a chorar.
Disse que todo mundo iria rir de mim, por causa das meias vermelhas.
Mas ela disse que tinha um motivo muito forte para me colocar as meias vermelhas.
Disse que se eu me perdesse, bastaria ela olhar para o chão e quando visse um menino de meias vermelhas, saberia que o filho era dela." "Ora", disseram os garotos. "mas você não está num circo. Por que não tira essas meias vermelhas e as joga fora?"  O menino das meias vermelhas olhou para os próprios pés, talvez para disfarçar o olhar lacrimoso e explicou: "é que a minha mãe abandonou a nossa casa e foi embora".  Por isso eu continuo usando essas meias vermelhas.  "Quando ela passar por mim, em qualquer lugar em que eu esteja, ela vai me encontrar e me levará com ela." 
Muitas almas existem, na Terra, solitárias e tristes, chorando um amor que se foi.
Colocam meias vermelhas, na expectativa de que alguém as identifique, em meio à multidão, e as leve para a intimidade do próprio coração.  São crianças, cujos pais as deixaram, um dia, em braços alheios, enquanto eles mesmos se lançaram à procura de tesouros, nem sempre reais.  Lesadas em sua afetividade, vivem cada dia à espera do retorno dos amores, ou de alguém que lhes chegue e as aconchegue.   Têm sede de carinho e fome de afeto.  Trazem o olhar triste de quem se encontra sozinho e anseia por ternura.   São idosos recolhidos a lares e asilos, às dezenas.
Ficam sentados em suas cadeiras, tomando sol, as pernas estendidas, aguardando que alguém identifique as meias vermelhas.   Aguardam gestos de carinho, atenções pequenas.  Marcam no calendário, para não se perderem, a data da próxima visita, do aniversário, da festividade especial.  Aguardam...
São homens e mulheres que se levantam todos os dias, saem de casa, andam pelas ruas, sempre à espera de alguém que partiu, retorne.  Que o filho que tomou o rumo do mundo e não mais escreveu, nem deu notícia alguma, volte ao lar.  São namorados, noivos, esposos que viram o outro sair de casa, um dia, e esperam o retorno.  Almas solitárias. Lesadas na afetividade. Carentes.   Pense nisso!   O amor, sem dúvida, é lei da vida.  Ninguém no mundo pode medir a resistência de um coração quando abandonado por outro.  E nem pode aquilatar da qualidade das reações que virão daqueles  que emurchecem aos poucos, na dor da afeição incompreendida.  Todos devemos respeito uns aos outros.  Somos responsáveis pelos que cativamos ou nos confiam seus corações.
Se alguém estiver usando meias vermelhas, por nossa causa, pensemos se esse não é o momento de recompor o que se encontra destroçado, trabalhando a terra do nosso coração.  A maior de todas as artes é a arte de viver juntos.
Carlos Heitor Cony

- Essa crônica do Carlos Heitor Cony, já é bem conhecida e postada em vários blogs, dispensa outros comentários, porém vale a pena ler e refletir novamente e termos novo propósito para recomeçar, não perdermos a oportunidade de amar, respeitar e viver intensamente cada momento da vida.  BOA SEMANA! BOM RECOMEÇO!

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Nova Lei da Filantropia

O Decreto 7.237 (20/07/2010), trata da Nova Lei da Filantropia. 
O que é filantropia? Pode-se dizer que filantropia é o sentimento que leva os Homens a ajudar os outros; ter a visão fraterna para com outros. No campo corporativo, a Filantropia são as entidades sem fins lucrativos, ou seja, aquelas entidades (empresas) que são colaboradores imediatos da missão do Estado, reconhecidas pela Constituição Federal de 1988, com objetivo de ajudar àqueles que mais precisam.
Contudo, a nova Lei da Filantropia, trouxe regras severas para o processo de certificação das entidades beneficentes e de assistência social.  O certificado garante a ISENÇÃO de contribuições previdenciárias patronais, além de outros benefícios fiscais.
A principal mudança está na norma para o funcionamento das entidades de assistência social.  Conforme a Lei, as entidades terão de comprovar que todas as suas atividades são 100% gratuitas.  As entidades filantrópicas ligadas à educação não poderão mais incluir livremente no percentual os valores gastos com programas de apoio a alunos bolsistas, como transporte, uniformes e material didático.  A nova lei limitou em 20% do total aplicado em gratuidades para os programas de bolsas. No caso das entidades de saúde a lei dá mais um auxílio para atingir a meta mínima de 60% dos atendimentos feito pelo SUS (Sistema único de Saúde), como um dos critérios para se obter o certificado.  Agora, além das internações, também poderão ser contabilizados os atendimentos ambulatoriais.
Por fim, a nova lei, trata exclusivamente de três aspectos importantes: a certificação, a isenção outras providências.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

A História de um Retorno para Casa

Que surpresa!!!
Ao reler o primeiro texto postado (Coragem) me dei conta de que o autor é Henri Nouwen.
Todavia, hoje resolvi postar sobre um assunto que trata de uma experiência vivida ao conhecer e ler um livro que verdadeiramente mudou minha vida e minha história.
No ano de 1999 eu e minha família passamos por uma experiência dolorosa e, uma grande amiga, da cidade de São José dos Campos/SP, me presenteou com um livro, o qual mudaria minha maneira de pensar e encarar as adversidades da vida. 
O livro escrito por Henri J. M. Nouwen, holandês, ordenado padre em 1957, professor na Universidade de Notre Dame, Yale e Harvard, na sua 15ª edição/2007, com o título: "A VOLTA DO FILHO PRÓDIGO" (The Return of the Prodigal Son - 1992), narra o encontro casual de Henri com uma reprodução da pintura "A Volta do Filho Pródigo", de Rembrant, que o projetou numa longa aventura espitirual.  Temas como reconciliação, afirmação, voltar para casa, serão redescobertos por todos aqueles que experimentam a solidão, melancolia, ciúmes ou raiva.  Para todos que se perguntam: "Por onde me levou a minha luta? ou para os que "no caminho", tiveram a coragem de empreender sua jornada na busca da luz para seguir em frente, mesmo com as adversidades da vida, este livro, sem dúvida, servirá como guia e inspiração.
A leitura reflexiva e questionadora, nos faz descobrir dentro de nós as qualidades, as limitações, as frustrações, as alegrias e a coragem de querer vencer, de amar e de ser amado. 
Instigar a leitura deste livro é trilhar uma nova trajetória segura na descoberta do valor substancial do Amor, sentimento a ser vivido em cada momento presente de nossa existência.  
Deixo a dica...boa leitura; boa experiência e grandes descobertas!!!!

domingo, 15 de agosto de 2010

CORAGEM!!!

"O lugar onde receberei tudo o que desejo"
O lugar da luz, o lugar da verdade, o lugar do amor – é o lugar onde quero estar, embora tenha muito medo de chegar a atingi-lo. É o lugar onde receberei tudo o que desejo, tudo o que sempre esperei, tudo aquilo de que vou ter necessidade. Mas é também o lugar onde tenho de largar tudo o que quero reter. É o lugar que me confronta com o facto de que aceitar de verdade o amor, o perdão e a cura é frequentemente muito mais duro do que concedê-los. É o lugar para além daquilo que cada um, por si mesmo, pode obter ou merecer, das recompensas que possa merecer. É o lugar da rendição e da total confiança. (Henry Nouwen)